Não faz muito tempo que nós, mulheres, lutamos para ter direitos semelhantes aos dos homens. Muitas décadas se passaram e apesar de alguns avanços, ainda ganhamos muito menos, acumulamos responsabilidade com o trabalho, casa, filhos e os homens ainda engatinham para assumirem igual responsabilidades com as funções domésticas e criação/educação das crianças.

Direitos iguais são fundamentais. Mas é preciso avançar para perceber as diferenças. Uma pergunta bastante pertinente: deixaríamos na mão de uma pessoa com pouca experiência e qualificação a responsabilidade da grande empresa da família? A resposta certamente seria não. Mas fazemos isso com nossos filhos. Se você perguntar a uma mãe quem é a pessoa mais capacitada para cuidar de seu filho, ela, certamente dirá que é ela mesma. E também, o pai, deveria, ser o suporte igualitário para que todos, homens, mulheres e crianças  pudessem crescer pessoal, emocional e espiritualmente levando em conta as diferenças e batalhando por direitos iguais. Homens que revezam com as mulheres para estarem na consulta do pediatra, reunião da escola. Pais que saibam cuidar dos filhos com suas peculiaridades, mas com responsabilidades igualmente partilhadas. Empresas que ofereçam licenças expandidas para que pais e mães possam se dedicar ao futuro do planeta que será povoado por seres incríveis.

As pesquisas da neurociência e outras que envolvem comportamento humano concluem que uma criança cuidada por seus pais desenvolve-se melhor, com mais saúde e é psiquicamente mais saudável. Entretanto as políticas publicas ainda olham apenas para remuneração: mulheres que são bem pagas para bem pagar alguém, em geral outra mulher, para cuidar dos filhos.

O feminismo materno olha para um ponto mais profundo: e se homens e mulheres percebessem a importância de uma criança para esse mundo e conseguissem equilibrar, de maneira igualitária, levando em consideração as diferenças fisiológicas, como gestação, parto e amamentação, as responsabilidades com os filhos, a casa e por conseguinte em relação a todo o planeta? Como empresas, sociedade e famílias podem se organizar para levarem essas discussões e modelos de realidade adiante?

O Feminismo materno é um convite para que homens e mulheres coloquem a criança no holofote e ofereçam a esse ser mais presença e menos presente, para que ele possa se expressar em seu ser e não naquilo que pode ter.

Na agricultura estima-se que as abelhas prestem um serviço, com seu papel de polinização, estimado em 46 milhões anuais. Chegará o momento em que as políticas públicas irão mensurar em cifras o valor dos serviços em saúde e bem-estar que pais presentes fazem para os filhos e por consequência para todo o planeta. Já está ficando claro o preço que pagamos por não seguir o amor!

Texto e Foto Kalu Gonçalves
Edição Carla Machado sobre Palestra sobre Feminismo Materno tema do evento da ONU CSW63 (Commission on the Status of Women, em sua 63a edição) que acontece em Março de 2019 em Nova York. Essa palestra foi apresentada por Caroline Hoglang – presidente da HARO, Madeleine Wallin presidente da Fefaf (que esteve presente na Rio +20 trazendo o tema para o Brasil) e ativistas da ONG Big Ocean Women. Contou com a presença de Laura Uplinguer e Carla Machado da ANEP Brasil.