Sempre fui apaixonada pelos tratos humanos, o ser humano sempre me encantou e me intrigou pelas diversas maneiras de agir e reagir a situações do dia-a-dia. Na minha atuação como fisioterapeuta, procurava entender o ser único e individual que estava à minha frente. Quem era, da onde vinha, qual era sua história, quem eram os seus entes mais próximos e mais queridos, qual era seu sagrado, quais eram os seus anseios, como iria terminar seu período na terra? Mas foi quando tive meu filho, ao olhar aqueles olhinhos mais curiosos e assustados, que estas perguntas gritaram aos meus ouvidos e à minha mente. Desde então, tudo o que eu fazia no automático, parecia sem sentido e errado. Meu filho, gentilmente, me ensinava o bê-á-bá de ser gente, de descobrir-se gente.
Nesta época, quase entrando em desespero por achar que o vir ao mundo nos dias de hoje, estava muito errado, fiquei sabendo da primeira formação de educadores pré-natais da ANEP, em São Paulo. Sem entender direito o que era esse curso, me inscrevi. Em algum lugar de mim eu sabia que este era o caminho. E não me enganei.
A ANEP descortinou um mundo muito mais belo, organizado. Traduziu tudo o que já existia dentro de mim, mas que não tinha forças para seguir. Deu sentido ao nascimento do meu filho, mas também resignificou meu próprio nascimento. Eu redescobri o sentido de ser mulher, de poder parir, de carregar dentro de mim a possibilidade do futuro da humanidade. Também na ANEP, pude encontrar feridas feias e purulentas na minha criança interior, entendi como acolhê-las e transmutá-las. Reencontrei e reverenciei minha ancestralidade. Muitas lagartas que existiam dentro de mim viraram borboletas, outras tantas ainda estão no seu casulo e a qualquer momento irão romper esta barreira e voarão como lindas borboletas. Livres!
O curso da ANEP me transformou por completo. Meu corpo mudou, meu brilho mudou, minha profissão mudou de forma também. Sou outra mãe pro meu filho, sou outra filha para meus pais, sou outro ser humano para o mundo. O mais importante foi descobrir que ainda tenho muito que mudar, muito que  melhorar, muita coisa a fazer. Mas eu não estou sozinha, estamos todos juntos, eu e você, eu e a humanidade inteira, só precisamos nos dar as mãos, e a terra inteira vai mudar… pra muito melhor!

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